quarta-feira, 8 de julho de 2009



Saudações cordiais, caros paroquianos!

As minhas desculpas por vos deixar a salivar por mais um dos meus empolgantes retratos de frustração. Estive ocupado, o que não é inteiramente uma boa notícia...
Acabei de reler a última mensagem que cá vos deixei. Poça! Que deprimente! É tão estranho como quando o nosso estado de espírito se altera (tanto para melhor como para pior) nos é difícil lembrar ou mesmo compreender a maneira como encarávamos as coisas em alturas passadas. A minha vontade era dizer a esse "eu" de há algumas semanas: "mellow out, man!", com dois dedos estendidos. Estou um bocadinho mais optimista. Talvez seja por finalmente ter chegado o tempo quente, e poder apreciar "este solzinho, que não há dinheiro que pague", ou por estar mais à vontade financeiramente, em parte, graças a alguns trabalhos encomendados por uma empresa de tradução, que BTW, me tem dado um óptimo feedback do meu trabalho. Já conheço a sensação de ganhar dinheiro a fazer o que adoro. Mas ainda estou longe da glamorosa vida cheia de ostentação e bling-bling de um tradutor (lol). Continuo a aceitar todo o tipo de trabalho que me é oferecido pelas empresas de trabalho temporário: 2 dias a montar outdoors, mais 2 a fazer controlo de qualidade de peças de auto-rádios, separação de materiais para reciclagem, etc. Entretanto, já trabalhei na loja da Nike, e, aos fins de semana, como roadie/técnico de som/carregador de material de som e luz. Isto tudo no espaço de um mês, mais coisa, menos coisa... Não admira que não tenha tempo para escrever... por este andar, no fim de agosto, vou de férias e ainda tenho dinheiro para mudar de apartamento!

Desejem-me sorte!

sábado, 30 de maio de 2009

Exercício de Aplicação



PT - Hoje em dia há uma tendência para encarar as competências numa língua que não a materna apenas como uma útil complementaridade a uma formação numa qualquer outra área. Mas os serviços linguísticos devem ser prestados apenas por quem possua formação linguística específica. Um tradutor deve ser um especialista nos pares de línguas com que trabalha. As línguas já são suficientemente maltratadas no seu uso diário comum. É de esperar que, pelo menos ao nível profissional se imponha o máximo de rigor e correcção possíveis.

ENG - Competences in a foreign language are, nowadays, seen merely as a useful added value to an education in some other field. But linguistic services should only be provided by people with specific linguistic training. A translator must be a specialist on the language pairs he works with. Languages are mistreated enough in their everyday use. One must expect maximum rigour and accuracy at least at a professional level.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Em stand by...

Estou em stand by. Preso num entretanto. Numa total estagnação. Não literalmente, pois o meu corpinho está todo dorido das actividades das quais vou tirando algum sustento (trabalho braçal, bem entendido). Refiro-me à estagnação em termos de evolução, a nível pessoal, profissional, social, etc… Passo os dias a fazer resoluções como as que se fazem no ano novo; “Este ano vou deixar de fumar, vou alimentar-me melhor, vou fazer voluntariado com pessoas com deficiência, declarar os rendimentos todos às finanças, etc”. As boas intenções com que nos iludimos no dia 31, e que depois não conseguimos lembrar por causa da ressaca do dia 1. Só que eu não tenho data marcada para ingressar nessa nova existência e, acreditem, nunca me esqueço…

A falta de estabilidade, principalmente financeira, e de alguma rotina (há quem se queixe, eu anseio por uma rotina), a impossibilidade de fazer planos, nem que seja para o dia seguinte, deixam-me num estado de quase dormência, de alienação… Além disso, não consigo livrar-me de um peso constante na consciência quando estou a fazer algo que não seja trabalhar ou procurar emprego. Quando não tiver essa preocupação vou poder ver todos os filmes e séries que quiser, ler pelo menos um livro por semana, dedicar mais tempo a escrever coisas interessantíssimas e cheias de piada no Blog!

Não sei se é assim para todos os desempregados (conheço alguns que vivem felizes!), mas eu sinto que estou a ver a vida através de um vidro… à espera de ser libertado... À espera de sentir que faço diferença. À espera de ser verdadeiramente independente, e de deixar de “chular” a minha mãe sempre que aparece uma despesa com o carro. À espera de poder comprar as coisas que preciso, como roupas novas (por acaso isso é a minha namorada que diz que preciso!), um disco externo para poder “esvaziar” o meu pobre portátil. À espera de poder pensar em mudar-me com a minha namorada para um apartamento só nosso. À espera de poder inscrever-me num ginásio, ou combinar um dia da semana para jogar futebol com os amigos. À espera que as Sextas, Sábados e Domingos voltem a ser “fim-de-semana”. À espera de poder pagar a minha internet em minha casa. À espera de voltar a ir de férias. À espera de finalmente visitar Inglaterra. À espera de finalmente achar que o meu curso não foi tempo e dinheiro perdido. À espera de poder dar aos meus pais a satisfação de verem finalmente os frutos de tanto que investiram e investem em mim. À espera de poder cantar para a minha namorada as primeiras estrofes de “Mal Por Mal” dos Deolinda (para quem não conhece: “Já sou quem tu queres que eu seja / Tenho emprego e uma vida normal). São estas algumas das minhas resoluções para a vida nova. Entretanto, passo a vida agarrado ao portátil, sempre esperançoso por encontrar mais uma oferta de emprego minimamente viável… Só já não espero é pelas respostas às candidaturas que envio…

Enfim, no meio de toda esta crise, tenho a minha própria crise. Se é verdade que “we are what we do”, então sou uma máquina que apenas ligam de vez em quando. A maior parte do tempo estou em stand by.


Ps. Gostaram da imagem? Eu gostei, a partir de agora vou pôr sempre uma imagem relacionada com o texto.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A Crise do Homem

Caros Paroquianos:

Embora tenha imenso tempo livre, falta-me a inspiração para escrever. Passo metade do dia à procura de emprego ou de uma solução milagrosa para não ter de arranjar emprego, e a outra metade a tentar distrair-me de tudo isso... Por isso decidi brindar-vos com um texto que me dá muito orgulho, que escrevi no âmbito da cadeira de Oficina de Escrita, no primeiro ano do saudoso curso de Estudos Portugueses e Ingleses (Pêêêêêêêêê... I! Pê I! Pê I! Pê I!). É um pequeno ensaio sobre a crise, não a que estamos a viver agora, mas talvez a que indirectamente a causou. É uma teoria minha. A chamada crise do crédito, que como sabemos, se deve ao endividamento inconsequente, é, na minha humilde opinião, fruto de uma crise de valores, na qual a ostentação se sobrepõe à sustentação. Pois é, andou tudo a gastar o que não tinha para mostrar o que não chegava a ter. Já em 1975, Vitorino Nemésio se apercebia, e muito bem do rumo que estávamos a tomar, mas infelizmente, neste mundo há muito poucos com esta visão de jogo...
A CRISE DO HOMEM

“ É estranho que se fale de crise do Homem, precisamente quando a humanidade atinge o mais alto nível técnico historicamente conhecido. “ Técnico”, isto é, favorável à ampla satisfação das necessidades da vida, à cómoda instalação do Homem no seu meio.” (Vitorino Nemésio, Era do Átomo/Crise do Homem 1975).

É esta afirmação, tirada do livro de Vitorino Nemésio, que, embora tenha sido escrita em 1975, se revela ainda perfeitamente válida, capaz de ilustrar o sentimento geral, o “tom” da cultura, e da sociedade, e fazer questionar a nossa própria consciência sobre o modo como encaramos o progresso e o futuro. De facto, o “mais alto nível técnico historicamente conhecido” traduz-se num mundo repleto de “maravilhas” da tecnologia, pequenas coisas, como telemóveis, écrans planos e a Internet, ou outras de maior abrangência, como a descodificação do genoma humano, a cura para vários tipos de cancro, ou leis que assegurem segurança e higiene no trabalho. No entanto todos os dias somos bombardeados com notícias de ataques terroristas, massacres perpetrados por adolescentes, pessoas que desesperam porque o seu emprego deixou de ser economicamente viável, ou jovens que se dedicam ao furto, e ao tráfico de droga, na busca do lucro fácil, muitas vezes por acharem que não têm outra escolha. De facto, situações como a do famigerado “arrastão”, ou a dos motins que ultimamente têm ocorrido em várias cidades de França dão-nos a ideia que algo está mal, e que devíamos talvez tirar os olhos dos alienantes “reality-shows”, e prestar mais atenção ao que de facto se passa à nossa volta. É para esta crise, a dos valores que Vitorino Nemésio (aparentemente em vão) nos quis alertar há já 30 anos.

Comecemos por definir “progresso”. No dicionário encontramos definições como: “desenvolvimento de algo, ao longo de um período de tempo, transitando de um estado pior para um estado melhor”; ou: “Tendência do género humano para a perfeição, para a felicidade”. Será que a humanidade (toda ela) sofreu o processo descrito nestas definições? Sem dúvida que a maioria dos habitantes do chamado “mundo livre” afirmará, com toda a certeza que sim, porém outros haverá que não partilham deste optimismo. Temos como exemplo (embora algo extremo), a escravatura. Era vista na altura como uma melhoria das condições de vida, uma forma de progresso, e até nos dias de hoje há quem diga que foi uma forma de globalização, conceito com tantos adeptos, mas que teve óbvias e nefastas consequências para os que nela foram forçados a tomar parte.

É, portanto, a meu ver, absolutamente pertinente a questão levantada por Vitorino Nemésio, e, ao mesmo tempo, uma resposta sobressai: O progresso não chega a todos, e por esta razão é, em alguns aspectos, contraproducente.

Claro que hoje, felizmente, rejeitamos a ideia de que algo semelhante à escravatura pudesse ter lugar. Mas será que não estamos, lenta e sub-repticiamente, a acomodar-nos à ideia de que alguns, dependendo da sua situação económica, social ou geográfica, são “melhores” que outros? Senão vejamos:

Mesmo em países governados pelos arautos da Democracia e da igualdade, (direi mais, principalmente nestes) é inegável a influência do poder monetário e a supremacia das leis do mercado; Tudo é feito tendo em vista o lucro, e neste “mundo corporativo” há inevitavelmente um desequilíbrio entre os que comandam, e os que se submetem, tendo, na prática, os últimos, quer queiramos, quer não, menos direitos que os primeiros.

Na mesma óptica, será que podemos afirmar que os habitantes de países do terceiro mundo têm os mesmos direitos enquanto homens, logo, as mesmas oportunidades que os cidadãos dos países desenvolvidos? Ou, numa menor escala, que, na generalidade, um operário possa ambicionar a mesma realização pessoal que um bem sucedido empresário? A resposta às duas perguntas é pesarosamente negativa.

É nesta linha de pensamento que me atrevo a afirmar que o progresso intelectual está, em certa medida, atrasado, contrastando com os avanços tecnológicos que todos os dias nos surpreendem, e tornam a nossa vida (a dos privilegiados) mais fácil. De facto, os recentes desenvolvimentos na área da medicina, da exploração espacial, da engenharia, as novidades no mundo das telecomunicações, dos transportes, do entretenimento e do modo de vida em geral funcionam, no meu ponto de vista, um pouco como distracções daquilo que devia ser sumariamente importante.

Como se justifica que se gaste mais dinheiro em estádios de futebol, do que em saúde e educação? Mais em armamento e financiamento de organizações militares do que em ajudas aos mais carenciados? Mais em programas espaciais do que em pesquisa na área da agricultura e ambiente? Mas, e esta é a verdadeira questão, será este um problema de gestão governamental, ou seria diferente se as decisões referentes à aplicação dos dinheiros públicos fossem sujeitas a sufrágio universal? Confesso-me pessimista em relação a esta possibilidade.

Vivemos hoje numa sociedade em que cada um vive para si e, na melhor das hipóteses, para os seus, e cada avanço tecnológico contribui, inadvertidamente e ao mesmo tempo para a crise de valores, pois cada novo aumento das comodidades vai satisfazer uns, mas vai ser alvo da cobiça de outros.

Com efeito, se tivermos em conta a definição budista de “felicidade”, ou seja, a ausência de desejo, a Humanidade vive crescentemente insatisfeita, pois chegámos a um ponto em que o lançamento de uma nova consola de videojogos causa nos jovens uma sofreguidão quase comparável àquela sentida pelas vítimas de uma qualquer catástrofe, quando lhes é oferecida ajuda…

De facto, é nos jovens que esta “cultura da cobiça” tem os mais devastadores efeitos, pois a sua vontade é facilmente moldada pelos meios de comunicação, e pela aparente lassidão dos progenitores em incutir valores contrários, que levem os seus filhos a querer “ser”, em vez de “ter”, a crescerem com consciência cívica, em vez de reclamarem alarvemente direitos atrás de direitos.

A partir destes argumentos permito-me avançar a minha teoria que aponta como uma das principais causas dos conflitos que ocorrem em bairros problemáticos do nosso país, ou das tragédias como a de Columbine, nos Estados Unidos, esta inversão de valores, que leva a que aqueles que não podem ter aquilo que querem, e que vêm nas mãos dos outros, a tentar consegui-lo de qualquer maneira, sobrepondo inclusive, os bens materiais à vida humana…

Resumindo, o progresso em si não é indesejável, pelo contrário, tudo aquilo que torne o nosso dia-a-dia mais agradável e mais fácil é naturalmente bem vindo, mas, a meu ver, devíamos prestar igual atenção à evolução do pensamento, das relações humanas, com vista a uma convergência de objectivos por parte de todos. O progresso apresenta-nos cada vez mais possibilidades, mas talvez nos falte discernimento na escolha das que são realmente importantes…

Resta-me concluir que há um longo caminho a percorrer, caminho esse que, na minha humilde opinião passa por uma mudança radical na forma como são educados os nossos filhos, não só em casa, mas também na escola. Há já vários pedopsiquiatras e pedagogos que condenam a maneira como são sacralizadas as crianças hoje em dia, assim como a desautorização dos professores, e até dos próprios pais, perante os “jovens tiranos”. É preciso dar-lhes, desde cedo, um sentido de responsabilidade, uma outra noção do mundo, e da vida, que passe para além do seu próprio umbigo…

Termino com uma frase, que li já não sei onde, mas que acho que representa bem a minha opinião:

“A Humanidade podia ter o mundo na palma da mão, se ao menos conseguisse descerrar o punho…”

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Nota do tradutor II - A Revolta

Acho que há muita gente a trabalhar em tradução a quem falta brio, gosto pelas línguas, motivação, capacidade… inteligência (isto é dor de coto, eu sei) … Pois essas pessoas estão a ocupar um lugar que devia ser meu! Após quase um ano de respostas a anúncios de emprego, centenas de candidaturas espontâneas, redacção cuidada de cartas de apresentação, reformulações, acrescentos e retoques no CV, estou mais frustrado que uma adolescente sem saldo no telemóvel! Não é justo! Vejo tanta asneira em legendas da televisão, filmes, jornais e revistas, enfim… Tenho para mim que faço parte de um cada vez mais reduzido grupo de pessoas que realmente aprendeu a escrever e tem noção de que a maneira como alguém escreve diz muito sobre a sua inteligência e personalidade. Mais do que a maneira como, por exemplo, se veste.

Mas o pior de tudo é que quase 90% das empresas para onde mando candidaturas, mesmo em resposta a anúncios de emprego, não tem sequer a misericórdia de enviar uma resposta, deixando-me cruelmente na incerteza durante dias. Um simples “não estamos a contratar colaboradores de momento”, ou “as suas capacidades seriam subaproveitadas na nossa empresa” era quanto bastava para me dar um incentivozinho para continuar! Parece que o que conta é a experiência… (e onde trabalhei anteriormente, ou que familiar tenho na direcção) Totally overrated!! Tenho experiência que chegue a encontrar verdadeiras mutilações do meu Português!

Também me ocorre que até agora não tive a minha grande oportunidade apenas por azar. Por um pequeno golpe do destino. Vou agora contar-vos uma historinha para ilustrar o que quero dizer.

Envio a minha candidatura para uma empresa. A pessoa responsável abre o e-mail, lê a carta de apresentação e até diz “Eh, pá, e tal, sim senhor, ora vamos lá ver o currículo deste campeão.” Clica no anexo, que é um ficheiro .pdf, e aparece a irritante mensagem: Encontradas novas actualizações para o Adobe Reader; não servem para nada nem vai dar por elas, deseja instalar agora? E o/a diligente administrativo/a lá clica no botão “Perder Tempo”. Entretanto, vai ver quem anda pelo Messenger, atende o telefone, vai tomar um café, e sem dar por ela, são horas de almoçar. “Vejo logo à tarde”, pensa ele. No entanto, ao chegar ao escritório à tarde, aparece-lhe um cromo sorridente que até veio de fato e que se desenrasca a falar. Foi vendedor e aprendeu todas as técnicas e truques de autopromoção. Viveu uns anos em Inglaterra, tem os avós em Espanha e tirou um curso intensivo de Alemão. Ou seja, assassina quatro línguas (o Português, principalmente). O patrão, à boa maneira do empresário português, esfrega as mãos por achar que terá um funcionário a receber por um e trabalhar por três! E entretanto, o meu CV lá fica, na caixa de mensagens já lidas, que toda a gente guarda “p’ra ver melhor quando tiver tempo”.

É assim que eu, para bem do meu ego, imagino que tem acontecido com grande parte das minhas candidaturas. Por simples falta de sorte, ocorrem variações desta história. Mas um dia a sorte muda, e o meu dia há-de chegar! É como o Euromilhões, só que com menos probabilidades.

Ok, estou a exagerar, já sei que vou levar uma data de ressabiado… Também já sei, que é como diz o pai do Busto: os currículos entregam-se em mãos… Será que estou mesmo a fazer tudo por tudo para arranjar emprego? A minha namorada não se coíbe de me dizer quase todos os dias que não! Por isso, olhem, vou-me lá fazer à vida…

Foi só um desabafo… Hei-de escrever coisas com mais piada e menos queixinhas.

Nota do Tradutor

Como podem ver pelo que escrevi até agora, em termos de criatividade e imaginação, não sou nenhum Tolkien. Mas até me safava como redactor na Maria ou no Borda d’Água. Mas a minha verdadeira paixão é traduzir. É pegar nas palavras dessa língua tão sintética e ao mesmo tempo tão imagética e maleável que é o inglês e verter as ideias nelas contidas para o nosso imensamente belo e ostentosamente complexo idioma. Ou vice-versa.
Por vezes, as frases são como puzzles. Para mim, é um verdadeiro deleite ir encontrando o sujeito, verbo, complementos, decifrar o sentido, encontrar o sentimento, o registo, o tom, a piada, o sarcasmo… e depois voltar a escrever como se a frase fosse minha! Uns discordarão do meu método, outros acharão que ando mesmo enganadinho, mas estou como diz o Tony Carreira (ou seja lá quem for que escreveu a canção que ele plagiou): “…nos meus sonhos quem manda sou eu!”

A Idade da Inocência

Começo por falar da minha vida desde que, cheio de orgulho completei a minha licenciatura em Línguas e Literaturas Europeias, variante Português – Inglês. Com o canudo na mão, a minha esperança era que as minhas notas (pelo menos as do último semestre, uns cinco 18’s, só para que a plebe saiba) e os rasgados elogios que me eram tecidos por colegas, professores (e pela minha namorada, que é muito riquinha!) se viessem a traduzir (impressionante este jogo de palavras, hã?) numa chuva de oportunidades de emprego, uma imensidão de portas abertas. Imaginava centenas de possíveis empregadores desesperados, acenando com maços de notas e acotovelando-se como correctores da bolsa, todos a quererem gabar-se de ter no seu staff um dos mais promissores consultores linguísticos dos últimos anos. Já me via na minha penthouse, tranquilamente, a receber trabalhos da Microsoft, Ford, Coca-Cola… Claro que a maior parte do trabalho seria feito por assistentes da minha confiança e eu apenas faria a revisão final e resolveria os problemas mais difíceis.
Até agora, nada disso aconteceu, o que me leva a constantemente reconsiderar as minhas possibilidades de carreira. Por esta altura já me contentava com qualquer trabalho que envolvesse escrever, nem que fosse "abrir por aqui" em caixas de cereais...

sábado, 16 de maio de 2009

Sempre quis ter um Blog!

Não tenho nada de especialmente interessante para dizer ao mundo. Mas gosto de pensar que, se tivesse, o escreveria de forma brilhante, profunda e ao mesmo tempo acessível, enfim, ao nível de um Saramago. Infelizmente, a verdade é que a preguiça se interpõe entre mim e o Nobel. Mas hoje em dia, uma pessoa culta, e principalmente uma que se diga amiga das letras, para ser alguém, tem de registar os seus pensamentos, lamúrias e rasgos de criatividade num Blog. Normalmente é escrito como algo muito pessoal e absolutamente privado que queremos que toda a gente leia e comente. Decidi fazer também uma tentativa. Diz que é catártico e pessoalmente enriquecedor, e além disso, posso algum dia sacar algum a uma editora, se porventura começar a escrever alguma coisa de jeito. Não me ocorre nada de momento, mas quem anda nestas coisas sabe que o mais difícil é começar...