segunda-feira, 18 de maio de 2009

A Idade da Inocência

Começo por falar da minha vida desde que, cheio de orgulho completei a minha licenciatura em Línguas e Literaturas Europeias, variante Português – Inglês. Com o canudo na mão, a minha esperança era que as minhas notas (pelo menos as do último semestre, uns cinco 18’s, só para que a plebe saiba) e os rasgados elogios que me eram tecidos por colegas, professores (e pela minha namorada, que é muito riquinha!) se viessem a traduzir (impressionante este jogo de palavras, hã?) numa chuva de oportunidades de emprego, uma imensidão de portas abertas. Imaginava centenas de possíveis empregadores desesperados, acenando com maços de notas e acotovelando-se como correctores da bolsa, todos a quererem gabar-se de ter no seu staff um dos mais promissores consultores linguísticos dos últimos anos. Já me via na minha penthouse, tranquilamente, a receber trabalhos da Microsoft, Ford, Coca-Cola… Claro que a maior parte do trabalho seria feito por assistentes da minha confiança e eu apenas faria a revisão final e resolveria os problemas mais difíceis.
Até agora, nada disso aconteceu, o que me leva a constantemente reconsiderar as minhas possibilidades de carreira. Por esta altura já me contentava com qualquer trabalho que envolvesse escrever, nem que fosse "abrir por aqui" em caixas de cereais...

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