quarta-feira, 27 de maio de 2009

Em stand by...

Estou em stand by. Preso num entretanto. Numa total estagnação. Não literalmente, pois o meu corpinho está todo dorido das actividades das quais vou tirando algum sustento (trabalho braçal, bem entendido). Refiro-me à estagnação em termos de evolução, a nível pessoal, profissional, social, etc… Passo os dias a fazer resoluções como as que se fazem no ano novo; “Este ano vou deixar de fumar, vou alimentar-me melhor, vou fazer voluntariado com pessoas com deficiência, declarar os rendimentos todos às finanças, etc”. As boas intenções com que nos iludimos no dia 31, e que depois não conseguimos lembrar por causa da ressaca do dia 1. Só que eu não tenho data marcada para ingressar nessa nova existência e, acreditem, nunca me esqueço…

A falta de estabilidade, principalmente financeira, e de alguma rotina (há quem se queixe, eu anseio por uma rotina), a impossibilidade de fazer planos, nem que seja para o dia seguinte, deixam-me num estado de quase dormência, de alienação… Além disso, não consigo livrar-me de um peso constante na consciência quando estou a fazer algo que não seja trabalhar ou procurar emprego. Quando não tiver essa preocupação vou poder ver todos os filmes e séries que quiser, ler pelo menos um livro por semana, dedicar mais tempo a escrever coisas interessantíssimas e cheias de piada no Blog!

Não sei se é assim para todos os desempregados (conheço alguns que vivem felizes!), mas eu sinto que estou a ver a vida através de um vidro… à espera de ser libertado... À espera de sentir que faço diferença. À espera de ser verdadeiramente independente, e de deixar de “chular” a minha mãe sempre que aparece uma despesa com o carro. À espera de poder comprar as coisas que preciso, como roupas novas (por acaso isso é a minha namorada que diz que preciso!), um disco externo para poder “esvaziar” o meu pobre portátil. À espera de poder pensar em mudar-me com a minha namorada para um apartamento só nosso. À espera de poder inscrever-me num ginásio, ou combinar um dia da semana para jogar futebol com os amigos. À espera que as Sextas, Sábados e Domingos voltem a ser “fim-de-semana”. À espera de poder pagar a minha internet em minha casa. À espera de voltar a ir de férias. À espera de finalmente visitar Inglaterra. À espera de finalmente achar que o meu curso não foi tempo e dinheiro perdido. À espera de poder dar aos meus pais a satisfação de verem finalmente os frutos de tanto que investiram e investem em mim. À espera de poder cantar para a minha namorada as primeiras estrofes de “Mal Por Mal” dos Deolinda (para quem não conhece: “Já sou quem tu queres que eu seja / Tenho emprego e uma vida normal). São estas algumas das minhas resoluções para a vida nova. Entretanto, passo a vida agarrado ao portátil, sempre esperançoso por encontrar mais uma oferta de emprego minimamente viável… Só já não espero é pelas respostas às candidaturas que envio…

Enfim, no meio de toda esta crise, tenho a minha própria crise. Se é verdade que “we are what we do”, então sou uma máquina que apenas ligam de vez em quando. A maior parte do tempo estou em stand by.


Ps. Gostaram da imagem? Eu gostei, a partir de agora vou pôr sempre uma imagem relacionada com o texto.

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