Estou em stand by. Preso num entretanto. Numa total estagnação. Não literalmente, pois o meu corpinho está todo dorido das actividades das quais vou tirando algum sustento (trabalho braçal, bem entendido). Refiro-me à estagnação em termos de evolução, a nível pessoal, profissional, social, etc… Passo os dias a fazer resoluções como as que se fazem no ano novo; “Este ano vou deixar de fumar, vou alimentar-me melhor, vou fazer voluntariado com pessoas com deficiência, declarar os rendimentos todos às finanças, etc”. As boas intenções com que nos iludimos no dia 31, e que depois não conseguimos lembrar por causa da ressaca do dia 1. Só que eu não tenho data marcada para ingressar nessa nova existência e, acreditem, nunca me esqueço…A falta de estabilidade, principalmente financeira, e de alguma rotina (há quem se queixe, eu anseio por uma rotina), a impossibilidade de fazer planos, nem que seja para o dia seguinte, deixam-me num estado de quase dormência, de alienação… Além disso, não consigo livrar-me de um peso constante na consciência quando estou a fazer algo que não seja trabalhar ou procurar emprego. Quando não tiver essa preocupação vou poder ver todos os filmes e séries que quiser, ler pelo menos um livro por semana, dedicar mais tempo a escrever coisas interessantíssimas e cheias de piada no Blog!
Não sei se é assim para todos os desempregados (conheço alguns que vivem felizes!), mas eu sinto que estou a ver a vida através de um vidro… à espera de ser libertado... À espera de sentir que faço diferença. À espera de ser verdadeiramente independente, e de deixar de “chular” a minha mãe sempre que aparece uma despesa com o carro. À espera de poder comprar as coisas que preciso, como roupas novas (por acaso isso é a minha namorada que diz que preciso!), um disco externo para poder “esvaziar” o meu pobre portátil. À espera de poder pensar em mudar-me com a minha namorada para um apartamento só nosso. À espera de poder inscrever-me num ginásio, ou combinar um dia da semana para jogar futebol com os amigos. À espera que as Sextas, Sábados e Domingos voltem a ser “fim-de-semana”. À espera de poder pagar a minha internet em minha casa. À espera de voltar a ir de férias. À espera de finalmente visitar Inglaterra. À espera de finalmente achar que o meu curso não foi tempo e dinheiro perdido. À espera de poder dar aos meus pais a satisfação de verem finalmente os frutos de tanto que investiram e investem em mim. À espera de poder cantar para a minha namorada as primeiras estrofes de “Mal Por Mal” dos Deolinda (para quem não conhece: “Já sou quem tu queres que eu seja / Tenho emprego e uma vida normal). São estas algumas das minhas resoluções para a vida nova. Entretanto, passo a vida agarrado ao portátil, sempre esperançoso por encontrar mais uma oferta de emprego minimamente viável… Só já não espero é pelas respostas às candidaturas que envio…
Enfim, no meio de toda esta crise, tenho a minha própria crise. Se é verdade que “we are what we do”, então sou uma máquina que apenas ligam de vez em quando. A maior parte do tempo estou em stand by.
Ps. Gostaram da imagem? Eu gostei, a partir de agora vou pôr sempre uma imagem relacionada com o texto.

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