segunda-feira, 18 de maio de 2009

Nota do tradutor II - A Revolta

Acho que há muita gente a trabalhar em tradução a quem falta brio, gosto pelas línguas, motivação, capacidade… inteligência (isto é dor de coto, eu sei) … Pois essas pessoas estão a ocupar um lugar que devia ser meu! Após quase um ano de respostas a anúncios de emprego, centenas de candidaturas espontâneas, redacção cuidada de cartas de apresentação, reformulações, acrescentos e retoques no CV, estou mais frustrado que uma adolescente sem saldo no telemóvel! Não é justo! Vejo tanta asneira em legendas da televisão, filmes, jornais e revistas, enfim… Tenho para mim que faço parte de um cada vez mais reduzido grupo de pessoas que realmente aprendeu a escrever e tem noção de que a maneira como alguém escreve diz muito sobre a sua inteligência e personalidade. Mais do que a maneira como, por exemplo, se veste.

Mas o pior de tudo é que quase 90% das empresas para onde mando candidaturas, mesmo em resposta a anúncios de emprego, não tem sequer a misericórdia de enviar uma resposta, deixando-me cruelmente na incerteza durante dias. Um simples “não estamos a contratar colaboradores de momento”, ou “as suas capacidades seriam subaproveitadas na nossa empresa” era quanto bastava para me dar um incentivozinho para continuar! Parece que o que conta é a experiência… (e onde trabalhei anteriormente, ou que familiar tenho na direcção) Totally overrated!! Tenho experiência que chegue a encontrar verdadeiras mutilações do meu Português!

Também me ocorre que até agora não tive a minha grande oportunidade apenas por azar. Por um pequeno golpe do destino. Vou agora contar-vos uma historinha para ilustrar o que quero dizer.

Envio a minha candidatura para uma empresa. A pessoa responsável abre o e-mail, lê a carta de apresentação e até diz “Eh, pá, e tal, sim senhor, ora vamos lá ver o currículo deste campeão.” Clica no anexo, que é um ficheiro .pdf, e aparece a irritante mensagem: Encontradas novas actualizações para o Adobe Reader; não servem para nada nem vai dar por elas, deseja instalar agora? E o/a diligente administrativo/a lá clica no botão “Perder Tempo”. Entretanto, vai ver quem anda pelo Messenger, atende o telefone, vai tomar um café, e sem dar por ela, são horas de almoçar. “Vejo logo à tarde”, pensa ele. No entanto, ao chegar ao escritório à tarde, aparece-lhe um cromo sorridente que até veio de fato e que se desenrasca a falar. Foi vendedor e aprendeu todas as técnicas e truques de autopromoção. Viveu uns anos em Inglaterra, tem os avós em Espanha e tirou um curso intensivo de Alemão. Ou seja, assassina quatro línguas (o Português, principalmente). O patrão, à boa maneira do empresário português, esfrega as mãos por achar que terá um funcionário a receber por um e trabalhar por três! E entretanto, o meu CV lá fica, na caixa de mensagens já lidas, que toda a gente guarda “p’ra ver melhor quando tiver tempo”.

É assim que eu, para bem do meu ego, imagino que tem acontecido com grande parte das minhas candidaturas. Por simples falta de sorte, ocorrem variações desta história. Mas um dia a sorte muda, e o meu dia há-de chegar! É como o Euromilhões, só que com menos probabilidades.

Ok, estou a exagerar, já sei que vou levar uma data de ressabiado… Também já sei, que é como diz o pai do Busto: os currículos entregam-se em mãos… Será que estou mesmo a fazer tudo por tudo para arranjar emprego? A minha namorada não se coíbe de me dizer quase todos os dias que não! Por isso, olhem, vou-me lá fazer à vida…

Foi só um desabafo… Hei-de escrever coisas com mais piada e menos queixinhas.

1 comentário:

  1. Critiquem o mais possivel, porque estou farto de ler em traduções, ou em variados trabalhos, não só televisivos, palavras como "vistes", "fizestes", ou "entendes-te" quando na verdade seria "entendeste", coisas desse genero, mas eu não chamo a isso falta de brio ou empenho, chamo de incompetência....critiquem e divulguem..

    NLC

    ResponderEliminar